Resenha Filme: Viagem à Lua de Júpiter

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Medo. Sacrifício. Contato

A sinopse: um grupo internacional de astronautas é enviado para Europa, uma das luas de Júpiter, o maior planeta do sistema solar. A missão é coletar dados sobre o astro e averiguar a possibilidade de vida, provavelmente microscópica, no fundo dos possíveis oceanos escondidos embaixo das extensas carapaças de gelo que cobrem todo o satélite. No entanto, após 6 meses de viagem, uma tempestade solar inesperada corta a comunicação entre a espaçonave e a Terra. Não há mais contato com os tripulantes e não se pode saber o que realmente aconteceu até que as comunicações são restabelecidas, de forma dramática, um ano e 6 seis meses depois. É a partir de uma colagem de imagens e depoimentos que se pode determinar se a missão foi bem sucedida ou não. E o negócio por lá, meus amigos, foi feio por demais!

Pois muito bem, registrado a sinopse, vamos discorrer um pouquinho sobre o filme que, lendo muitos comentários na Internet, dividiu opiniões bem distintas entre valorizar ou desprezar, na base daquela velha questão de amar ou odiar a obra. Mas antes de escolher um dos extremos para me fixar é preciso fazer algumas considerações... e aí eu te pergunto: o que se pode esperar de um filme de ficção científica de baixo orçamento, menos de 10 milhões de dólares, rodado em 18 dias, sem nenhum ator de nome expressivo, e com uma proposta narrativa que, apesar de não ser inovadora, vai contra a corrente dos grandes blockbusters?

Não dá pra compará-lo, por exemplo, com outra película de FC atual,  Gravidade (Gravity, 2013) , que custou a bagatela de 100 milhões de dólares, e tem no elenco Sandra Bullock e George Clooney, né? Não assisti ainda esta FC, mas pelo trailler, comentários e retorno financeiro, parece ser um filme muito bom, um verdadeiro blockbuster

Mas como diria um grande filósofo de botequim: uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa.

E é sobre isso que temos de considerar quando vamos assistir um filme com parâmetros e características de filme B que consegue ser um pouco mais que isso. São os filmes independentes, são os filmes que por suas limitações orçamentárias, são feito por diretores criativos e competentes que conseguem extrair leite de pedra. Não sou grande fã de filme autoral não, contudo parece óbvio pensar que uma injeção de dinheiro no Viagem à lua de Júpiter pudesse incrementá-lo muito mais, com o Tom Hanks, por exemplo, sendo um dos astronautas, a espaçonave poderia ser mais encorpada, poderia haver mais tripulantes, músicas de tirar o fôlego para abrilhantar as cenas de tensão que se apresentam durante toda a história, mas e daí?

Será que não veríamos, uma vez mais nas telas, um filme clichê de exploração espacial com efeitos de encher os olhos, com direção e roteiro medíocre?

Europa Report, título em inglês, é um bom filme para se assistir tendo estas questões em mente e aí você poderá dar o devido valor que ele merece... ou não. É claro que os fãs de filmes de FC, como eu, acostumados a assistir as trilogia de Aliens e Matrix, ou obras digitais de ponta como Avatar ou recente Elysium, poderão sentir um gosto meio amargo da falta dos grandes efeitos especiais, das bombásticas cenas de ação, da grandiosidade do elenco e locações, das cores, enfim, de tudo que vem no pacote dos grandes filmes feitos para te entreter. No entanto, este filme tem uma outra proposta, é sobre isto que estou "falando", ele é mais simples, econômico, tem uma narrativa diferente, boas atuações, sugere mais do que mostra, e vai, aos poucos, dentro do ambiente austero e lógico da ciência, te levando por degraus de sobriedade até o seu ápice, no momento em que toda a explicação, na última cena, bem lá na última, fica gravada na câmera interna do módulo de alunissagem, assim como fica gravada na sua cabeça também, depois do filme terminado.

É um bom filme!

Portanto, avalie bem algumas informações interessantes sobre a Viagem à lua de Júpiter para você não se decepcionar ao assisti-lo. Assista-o, sim, mas despojado de expectativas dos grandes filmes de FC e, sabendo onde vai pisar, tenho pra mim que, no final das contas, você terá tido uma interessante experiência cinematográfica como eu tive, tão satisfatória quanto os grandes blockbusters.

A opção narrativa, reitero, tem a ver um pouco com o estilo de falso documentário, algo próximo de As bruxas de Blair, Monsters, Atividade Paranormal e derivados. Tá, eu também não sou fã deste esquema narrativo não,  mas não é só isso. Aqui não há depoimentos dos protagonistas em direção às câmeras nervosas. Claro, há depoimentos de alguns especialistas na terra e coisa e tal, porém o que conta mais é  o posicionamento das inúmeras câmeras, fixas nos poucos compartimentos da nave e capacetes dos astronautas, que te emprestam o olhar limitado do que está acontecendo, ou seja, você sabe apenas o que os astronautas também sabem. Eles pouco interagem com as câmaras que gravam a grande aventura. Não há cenas fora do enquadramento destas máquinas com o intuito de te informar algo a mais, é como se você estivesse assistindo um realitty show reprisado sem se dar conta do que ocorreu no seu tempo real, mas tendo ciência sempre de que algo saiu lamentavelmente errado.

Outra coisa que chama a atenção positiva para o filme, muito comentado na Internet, é o cuidado científico das situações reais possíveis para um empreendimento deste porte. Quase tudo que você vê ou é informado no filme tem base científica: a viagem a Júpiter dura um pouco mais de dois anos, a alimentação sintética dos astronautas, a radiação do espaço, o silêncio angustiante de quem está à deriva no espaço, enfim, até a teoria de vida microscópica em Europa e seus oceanos escondidos no gelo são levados em conta. É um filme cru. É o que podemos chamar em literatura de ficção hard. Portanto, não espere nenhum sabre de luz, poderes mentais de telecinésia ou teletransporte de ativação atômica. Você pode achar o filme “paradão”, por causa do constante silêncio do espaço, do ambiente fechado de dois a três cubículos, mas é algo que, repito, faz parte  da proposta. É um filme que não tem enfeites. Tem uma história bem contada, e um final impactante. É isso.

 

 

 

 


Comentários   

#6 Alex Camillo » 11-11-2015 23:40

O comentário sobre o filme estava interessantíssi mo , empurrando-me cada vez mais para a direção de ir atrás da película e assisti-la .Mas aí o amigão não resistiu e entregou o ouro : " ... mas tendo ciência sempre de que algo saiu lamentavelmente errado." Pra quê , cara ? Deixa a gente descobrir isso enquanto assiste .
:sad:
0 +−

Alex Camillo

#5 JOSE ANTONIO » 26-10-2015 16:51

Não conhecia este filme. Assisti ontem ao mesmo... muito bom mesmo. O filme tem uma boa base científica e é muito convincente... Gostei muito e recomendo para quem aprecia Astronáutica, Física, dentre outras....
−1 +−

JOSE ANTONIO

#4 Daniela Lopes » 23-03-2014 16:31

saudações!
Vi Europa report antes de Gravidade. Como o artigo diz, é um filme cru, não há melindres ou dramas pessoais que atormentem os tripulantes. São cientistas e fazem tudo pela missão, inclusive cometerem certas "escorregadelas" em nome da curiosidade científica. O filme cria toda a expectativa do encontro com formas de vida alienígena, esperadas sob a forma de seres microscópicos, como exemplo O Enigma de Andrômeda, Os últimos dias em Marte e etc, mas surpreende com a cena final. Percebi que muita gente não tem paciência com filmes de ficção científica quando termos científicos precisam ser expostos ao longo da trama. Queremos ver ação ao invés de conversa, ver monstros ao invés de coisinhas pululando numa lente de microscópio.Queremos ver aquele personagem mala ser o primeiro a encontrar o desconhecido e se dar mal. Ainda temos muito o que aprender como espectadores de ficção. Nota 8 para Europa report.
+9 +−

Daniela Lopes

#3 Eros Silva » 11-03-2014 02:05

Eu assisti e gostei muito da proposta do filme com pouca ação em relação a outros do gênero, mas muito conteúdo e sempre a expectativa do porvir . Atemporal em alguns trechos para compreensão das lacunas iniciais como a morte de um dos tripulantes durante a viagem . As coisas deram erradas pelo imponderável , mas todas as informações foram transmitidas com sucesso para elucidar a odisseia da Europa One . Fantástica criatura do derradeiro momento, parecida com um polvo, que fez me pensar se seria apenas mais uma criatura marinha ou a espécie inteligente e dominante daquele gélido satélite ?!
Ah ! Fantástico sacrifício daquela cientista com seus lindos olhos grandes também em derradeiro momento para mostrar ao mundo a criatura submarina existente ali .

Gostei, gostei muito e verei novamente .
+4 +−

Eros Silva

#2 DeDGarel Kanih » 06-03-2014 22:56

Ehhh... Gravidade é um filme artisticamente superior a esse, cheio de metáforas e filosofias que dão uma coloração enorme à um filme de "catástrofe" com grandes astros - mas, é uma questão de gosto;

Todo filme é uma obra artística (mesmo um documentário) e tem que assumir esse papel claramente, formato não é limitação nem desculpa;

Gostei muito dos Dois, mas quanto ao Viagem à lua de Júpiter, esperava ver uma ficção cientifica mais "hardcore" mas sem perder o tom artístico - algo como nos livros de Arthur C. Clarke, por exemplo (esse tipo de história pediria um certo comportamento que fugisse do óbvio);

Tem umas coisas nele que me dão até coceiras de irritação, por exemplo: "Pertenço à equipe de seres humanos mais bem equipados, suportados e treinados de toda a história e, ainda assim, vou me comportar como uma criança tola, solta num parque de diversões e (claro que sim, porque não?) correr riscos desnecessários";

É um filme que, tirando uma coisa ou outra (as quais me irritam), passa bem a mensagem dele (infelizmente só no final e em uma única frase).

Resumindo, vale a pena assistir, mas poderia ter sido melhor;

P.S: A trilha sonora de Gravidade é a uma das trilhas mais fantásticas que já ouvi em um filme, só por isso já vale o tempo :)
+1 +−

DeDGarel Kanih

#1 mariana » 06-03-2014 11:50

Achei muuuuito melhor que gravidade!
+4 +−

mariana

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