Resenha: O Nevoeiro

(2 votos, média de 5.00 em 5)

Normalmente, os filmes baseados na obra de Stephen King são ruins. Alguns muito ruins. As exceções ficam com Carrie – A Estranha e O Iluminado.

Quando vi anunciarem mais uma adaptação (baseado na novela homônima, publicada no livro Tripulação de Esqueletos), fiquei pensando que viria outra porcaria. Comecei a mudar de idéia quando vi que seria dirigido por ninguém menos que Frank Darabont. Para quem não sabe, Darabont foi responsável por duas excelentes adaptações para a telona de outras duas obras de King, fora do gênero terror: À Espera de um Milagre (The Green Mile – Estados Unidos, 1999) e Um Sonho e Liberdade (The Shawshank Redemption – Estados Unidos, 1994).

O filme O Nevoeiro começa com uma violenta tempestade que devasta a cidade. David Drayton (Thomas Jane, de O Justiceiro), um artista local, corre com seu filho para o supermercado para comprar suprimentos e material para remendar uma das janelas de sua casa, destruída por uma árvore. Neste meio tempo, um estranho nevoeiro toma conta da cidade e acaba deixando David e mais alguns moradores locais presos dentro do supermercado. Logo eles descobrem o que existe algo mais no nevoeiro, e sair dele pode ser fatal.

Intimamente, "O Nevoeiro" é muitas coisas, entre elas, um ensaio sobre o horror na cultura; uma homenagem às várias influências de King (mais notadamente, H. P. Lovecraft e William Golding - autor de O Senhor das Moscas, um dos romances prediletos de King) e uma reflexão sobre a fragilidade da civilização em tempos de crise.

Quem espera ver um filme de monstros, com sangue para todos os lados, pode esquecer. Aqui, os monstros existem, mas praticamente não se pode vê-los. O único monstro – o pior de todos, talvez – que aparece a todo o tempo é o ser humano.

Quando as pessoas estão trancadas naquele supermercado, começamos a ver a civilização em reverso. Vemos uma volta à barbárie, o fanatismo religioso (na pele da Sra. Carmody, muito bem interpretada por Marcia Gay Harden) e a perda de parâmetros.

O excesso religioso que (que algumas pessoas reclamaram), é um ponto muito bem abordado por Stephen King em sua novela. Por outro lado, trata-se também de uma reflexão sobre a fé, não apenas religiosa, mas a fé uns nos outros, no amor e no dever, na esperança de que tudo pode acabar bem. E também sobre a própria falta de fé.

O desespero – conseqüência do medo do desconhecido – é capaz de transformar o ser humano em uma aberração, e apontar inimigos à sua volta parece ser a única saída para uma situação onde o que importa é sobreviver.

Apesar da grande quantidade de personagens, Frank Darabont conseguiu controlá-los de forma magistral. Após uns poucos minutos já sabemos quem é quem, de quem gostamos, de quem não gostamos, e para quem vamos torcer. Bem diferente de alguns filmes atuais, quando ao misturar dois ou mais personagens, não sabemos mais quem é quem.

O final do filme, apesar de diferente do final original da novela, é simplesmente espetacular. Infelizmente não posso dar a menor pista, do contrário estragarei a surpresa. Mas posso dizer uma coisa: foi uma ousadia que não vemos com muita frequência nos filmes de Hollywood.

Se você quiser uma recomendação de um bom filme de terror recente para ter em sua prateleira, este é o filme.


Ficha técnica:

Título Original: The Mist

Título no Brasil: O Nevoeiro

País: Estados Unidos

Ano de lançamento: 2007

Direção: Frank Darabont

Roteiro: Frank Darabont (baseado em novela de Stephen King)

Fotografia: Rohn Schmidt

Música: Mark Isham

Edição: Hunter M. Via

Maquiagem: Greg Nicotero

Elenco: Thomas Jane, Laurie Holden, Nathan Gamble, Toby Jones, Marcia Gay Harden, Frances Sternhagen, Andre Braugher.

Comentários   

#15 Com cérebro » 06-08-2014 01:47

Sinceramente, ficar falando que um filme ou livro é bom só pra manter o status de um escritor ou diretor é muita comédia.

Este filme é terrível, foram as duas horas mais mal empregadas da minha vida medíocre.

Não se sabe de onde vem a droga do nevoeiro, que porcarias são aquelas que aparecem o tempo todo engolindo gente? Afinal, que droga de experiência foi realizada?

Conto pra criança, onde a lógica e o processo científico das coisas não precisam estar presentes.

Se fosse eu que tivesse escrito esta mesma história, todos diriam que é uma droga, mas como foi um "renomado" então dizem que é bom, porque se disserem a verdade serão criticados pelos fanboys do cacete que vão ficar defendendo o lixo escrito e produzido.

Me poupem
0 +−

Com cérebro

#14 Helvanne » 02-08-2014 23:14

Oi, tenho 25 anos e já assisti vários filmes, mas esse sem duvida foi o pior de todos, nunca vi tanta desgraça pra um coitado só, o artista principal é corno , sem dúvida, porque todo castigo pra corno é pouco !

Sem mais.

Obrigado.
0 +−

Helvanne

#13 Gustavo » 21-07-2014 21:27

Pq ele mata as pessoas dentro do carro até seu filhoo :-?
−1 +−

Gustavo

#12 mariane » 12-07-2014 22:43

Adorei o filme e confesso que me surpreendi com o final....chorei. :sad:
0 +−

mariane

#11 Daniela Lopes » 23-03-2014 18:19

Eu gostei do filme, mas não gosto do ator para o papel principal. Acho que ele não é profundo o suficiente e mais parece o tipo de soldado aposentado que precisa usar todo o seu conhecimento de sobrevivência para enfrentar os monstros, levando à tiracolo a loura, filhos e o casal de vizinhos legais.
Na trama, os seres humanos provam ser mais perigosos que as criaturas escondidas na neblina. Momento Cloverfield na cena final.
0 +−

Daniela Lopes

#10 Jorge » 17-12-2013 03:55

Acho estranho quando vejo que há um ou outro comentário negativo sobre o Nevoeiro. Stephen King cria um ambiente extemamente sombrio de ação(muito bem apresentado no filme)que esbanja conhecimento de psicologia das massas, política, filosofia e religião dentro de um contexto de terror direto. Muito inteligente. Não conheci uma pessoa que tivesse lido o livro ou assistido ao filme que não tenha debatido sobre ele em algum momento. A recepção da crítica foi ótima, o que me faz pensar que se tem algum problema é a cabeça dessas pessoas, porque a obra é fantástica.
+2 +−

Jorge

#9 Marina Sales » 13-12-2013 16:20

O filme é muito bom , só no final que eu chorei um pouco , :lol: :lol: :lol:
+1 +−

Marina Sales

#8 Na boa » 10-08-2013 06:17

Cara, que filme ridiculo, perdi 1 hora e pouco da minha vida... o decorrer do filme eh até que legal, mas o final... Meu saco de mochila! :-x :-x :-x
−2 +−

Na boa

#7 q » 11-05-2013 16:37

:oops: :oops: :oops: :oops: :oops: :oops: :oops: :oops: :oops: :oops: :oops: :cry: :cry: :cry: :sad: :D :-x :roll: :sigh: :P :lol: :lol: :lol: :lol: :lol: :lol: :lol: :lol: :lol: :lol: :lol: :lol: :lol: :lol: :lol: :lol:
−1 +−

q

#6 Ricardo » 16-04-2013 06:02

Nao adianta, o cara é o mestre mesmo. Já acompanhei algas obras, todas ótimas. Agora esse filme e Silent hill tem muita pouca diferença. Aqueles bichos voando no filme são idênticos as do primeiro jogo. Tem até uma Dalia Gillespie no filme, converte metade da loja. sem palavras, fans de silent hill tem que assistir esse filme
+5 +−

Ricardo

#5 Ketlen » 18-03-2013 16:54

http://ketlen-menezez4.webnode.com/ :lol:
0 +−

Ketlen

#4 priscila » 08-03-2013 13:11

Bom :roll: :-)
−1 +−

priscila

#3 jocassya » 05-12-2012 22:59

:sigh: :zzz :cry: 8) :oops: :D muito bom esse filme
+1 +−

jocassya

#2 Verônica Freitas » 07-03-2012 19:52

O Nevoeiro é um conto que surpreende em Tripulação de Esqueletos pelo tamanho (é cerca de 1/4 do livro), mas é uma das melhores adaptações p o cinema de obras do King, fiquei impressionada c a fidelidade ao clima do conto. Não gostei muito da primeira vez que vi do final, não vou contar para não estragar, mas acho que foi porque fiquei chocada, pois o conto original o final é impreciso (vai ver nem o King sabia como terminá-lo, rs), com a idéia de que ele poderia se prolongar mais. O do filme não, é forte e certeiro. Depois de um tempo cogitando, passei a admirar a ousadia da produção. Realmente, não é algo que se vê normalmente na telona.

Ótima resenha!! Bjs!
+4 +−

Verônica Freitas

#1 Carlos Sousa » 25-11-2011 02:38

Gostei da resenha. Descreve bem o conteúdo do filme além conter claras explicações, fatos importantes a respeito do mesmo com uma boa dose de referências.

Quando descobri O Nevoeiro, foi através de uma música chamada Host of Seraphim (da banda Dead Can Dance) que é tocada no filme. Costumo dizer que só ouço aquela música no máximo 3 vezes por mês pois apesar de ser ótima é muito depressiva (faz um funeral parecer o Rock n' Rio).
Um dos motivos que me levou a gostar desse filme foi o fato de que ele me lembra Silent Hill em alguns aspectos.
Ainda não conheço nenhuma obra de Stephen King mas sei o quanto ele é respeitado como escritor e está entre os maiores do seu gênero. E esse filme foi o ponto de partida para começar a acompanhar o trabalho dele. Agora só falta escolher a primeira obra para ler rs.

Bom trabalho meu caro. Abraços!
+1 +−

Carlos Sousa

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