Literatura Fantástica

Matéria escura Parte II – Gravidade - Celly Monteir

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Naquela noite eu desejei nunca tê-la conhecido. Desejei nunca ter aprendido sobre metafísica fractal, desejei nunca ter acreditado que um evento insignificante pudesse interferir no alinhamento do todo gerando uma transformação inesperada num futuro incerto. Desejei nunca ter tido esperança de um dia lhe ser tão importante quando o seu precioso conhecimento. Desejei nunca ter encontrado sua crisálida mística, e despertado-a por capricho.

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Matéria Escura - Parte 1 - Celly Monteiro

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Ela parecia ter uma definição para tudo, menos para o que ela era, isso nem mesmo ela conseguia uma palavra exata que a definisse. Ela não era como as outras, essa era talvez a única verdade que eu sabia e ela não. Ainda assim ela dava tudo de si, tudo o que possuía, para ser a melhor, para chegar mais longe, para ser reconhecida pelo seu conciliábulo.

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Nota - Carolina Mancini

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Não há lembrança alguma que poderia, o pesar, roubar-me.
Nem mesmo o olor da flor mais frágil.
Nem mesmo a voz rouca da garganta seca de meus ancestrais fantasmas.
A vela não seria capaz, da alcova, iluminar toda esta espectral paisagem.
Minha mente cala-se no vácuo da noite, na calada do vento da montanha.
Na face rósea de Vênus, eu vi rolarem as pérolas deste amanhecer.

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Da chuva, a sombra nasce - Carolina Mancini

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Era cinza a marca d’água

Na parede concreta e absoluta.

De luto se vestia, amarga,

Sem olhos na estrutura bruta.

 

No caminho - a ir e vir ao léu -

Que faço e fazia, me remeteu

Seu semblante na parede aos céus

Da estrutura cinza onde se recolheu.

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A preferida de Baba Liu - Celly Monteiro

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Meus pés, agora descalços, tatearam os grânulos da beira do despenhadeiro. A um passo a minha frente o vazio, e então o fogo calcinante. Eu seria a pioneira daquela linhagem. Não sei o que aconteceu aos que me antecederam. Nenhum deles retornou. Ninguém jamais retornara a terra mãe depois do abismo. Eu não compreendia nada. Por que saltar? Por que não viver para sempre na esplanada de Baba Liu?

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O Ritual - Débora Brauner

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Os sussurros e gemidos que escapavam daqueles lábios rubros e obscenamente belos, rasgavam a noite como adagas afiadas dilacerariam a frágil carne humana. Eles eram como um mantra, um ritual de depravação e decadência que conspurcava o local em que outrora uma alma pura dera seu último e ínfimo suspiro.

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Peter Harrison - O Solucionista

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Aquele era um assunto muito grave. Muito grave mesmo. E deixava-o assustado. O próprio Peter Harrison estava assustado. Sabia que não faltaria muito para que todos os habitantes da sua ilha morressem de paragem respiratória por tristeza pulmonar. Tratava-se de uma epidemia. E 23:04:01a gravidade de qualquer epidemia obriga a uma solução duas vezes mais criativa e drástica.

 

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Eurus e Tália

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A escuridão que se estendia sobre o céu a minha volta, com seus pérfidos dedos devassos, em sua face de ninfa faceira passeavam desejosos,  ansiando àquela cálida criatura divina tocar, e com seus braços pútridos, para o fundo do Tártaro consigo arrastar.

Com um aperto a retorcer o nefasto peito, e uma gota de chuva que dos olhos de fenda azul vazava, afastei-me daquela que amava. Um soluço mudo estrangulado a escapar-me dos lábios rubros de pecado. No silêncio, um relâmpago estrondoso e fulgurante, o céu que se escurecia recortou.

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Anjo versus Demônio

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Com a permissão para adentrar as plagas etéreas, o demônio veio célere à minha morada e logo estava diante de mim simulado sob a forma de uma alva pomba, demonstrando que vinha em paz e em termos amistosos. Achei-o patético, pois eu podia entrever sua horrenda catadura através desse simulacro.

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Jardins Numéricos

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Ele cultivava números. Algarismos balançavam com leveza ao sabor do vento, cada dígito concatenado ao seguinte para formar um número completo. Seus preferidos sempre foram os da base decimal, embora gostasse particularmente da complexidade de uns poucos hexadecimais e da simplicidade singela de alguns binários, crescendo numa cadência lógica de zeros e uns.

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